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Crochet extravaganza – Villô Ateliê

Redação: Devon Zoal | Fotos: Roberta Braga, Cláudio Pedroso e Pedro Brago | Backstage: Nicolas Gondim

No segundo desfile da Sala do Barro – destinada ao trabalho de estilistas com enfoque na produção artesanal -, a Villô Ateliê comandada por Vivianne Pinto e Emily Dias desmistificou mais uma vez a máxima de que crochê (carro chefe da marca) é coisa datada, que não causa desejo imediato.  Batizada de ‘Entrelinhas’, a coleção vem da observação e da experimentação para evocar os elementos que norteiam o desfile das meninas. O objetivo aqui é desconstruir preconceitos em relação ao uso de elementos intrínsecos à cultura nordestina.

Trazendo uma mulher extremamente sensual do primeiro ao último look, a Villô joga com uma imagem meio delicada, meio romântica, mas extremante poderosa graças ao trabalho bem realizado com outras referências: o sportwear luxuoso e o navy.  Dito isto, as estilistas misturaram linhas de algodão e seda para criar cores que trouxessem a poesia almejada, além de, no processo, encontrar novas texturas seja pelos diversos pontos de crochê, seja pelo bordado de vidrilhos, pedrarias ou cristais.

O resultado deste exercício fica evidente na cartela de cores rosé, dourado e cru, na modelagem justa dos vestidos sobrepostos a casacos ‘crochetados’ no ponto macramê e no brilho falsamente discreto, extremamente luxuoso. Outro contraste interessante neste jogo proposto pela Villô é a beleza das modelos, extremamente minimalista. É deste conceito de raiz com pegada urbana, compassado no trabalho artesanal e manufaturado que vem o sopro de alívio preciso para enfrentarmos com sensibilidade e uma boa dose de glamour  – por que não? – as intempéries do cotidiano.

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