398 Views |

A imersão questionadora de Fernanda Yamamoto

Redação: Devon Zoal  | Foto: Igor Cavalcante

O DFB Festival 2017 trouxe a paulistana Fernanda Yamamoto para uma conversa sobre artesanias, troca de experiências e afetos e, claro, Moda autoral. Desde 2010 no line-up do SPFW, a estilista – formada em administração de empresa pela FGV e em Moda pela Parsons School de Nova Iorque – também já se apresentou nas semanas de moda de Roma, Tóquio e Chile.

O DFHouse conversou com Fernanda sobre o processo criativo em torno da sua coleção de inverno de 2016, que gerou o documentário ‘’Histórias Rendadas”, que a fez deslocar-se tanto no geograficamente; do Sudeste até o semiárido do Cariri paraibano; quanto do ponto individual. Ela conta que foram cerca de dois anos de idas e vindas em um processo de pesquisa de campo intenso. Fernanda destacou dois pontos principais como legado do projeto: a potência em torno da mulher sertaneja, responsável por cuidar da família, da geração de renda, e da perpetuação do artesanato local, mantendo viva a produção da renda renascença paraibana (uma tipologia de origem europeia, mas amplamente difundida no Nordeste brasileiro), assim como uma semelhança entre a paciência destas bordadeiras na confecção de suas delicadas peças têxteis com a paciência oriental – filosofia de vida e do modus operandi deste povo reconhecido no Ocidente.

Esta metodologia fez fluir uma troca de conhecimentos entre Fernanda e as artesãs, o que ela denominou de ‘’fragmentos”, explicando que ‘’enquanto as rendeiras mandavam suas peças modulares, ao seu tempo, os processos de modelagem e montagem das peças iam sendo ensinadas para elas como forma de repassar conhecimento dos processos de design”. Isto reverberou no trabalho visto na coleção de inverno 2016 da estilista. Neste contexto, Fernanda traz à tona a importância de se discutir em nossos tempos a velocidade com que tudo é produzido, abordagem essencial para se debater na contemporaneidade.