Por Ivens Andrade l Foto: Gabriel Marques

Kallil Nepomuceno faz roupas de festa, porque… ele é uma festa! Simples assim. No olhar, no sorriso e na forma de tratar todos ao redor. As mãos de couturier clássico são as mesmas que desenham os croquis, que tingem os tecidos da coleção e que apontam, sem medo, um novo caminho em busca da própria reinvenção.

Renata Miranda e Kalil Nepomuceno

Renata Miranda e Kalil Nepomuceno

Ainda que jovem, na contagem de grandes mestres da costura, notamos nos arquivos e no savoir faire de suas criações uma elegância que faz colidir eras. A tecnologia que permite novos caimentos e efeitos é aliada do rigor formal das modelistas que, concentradas como se estivessem num jogo de xadrez, dão vida às, muitas vezes, excentricidades criativas que são a marca maior de seu autor.

Há mais de 20 anos na moda, Kallil mantém-se no topo de seu nicho, criando laços próximos e respeitosos com suas clientes. Mais que isso, o estilista é incansável na tarefa de resignificar os códigos de elegância e sofisticação.

Renata Miranda e Kalil Nepomuceno

Em sua nova coleção, o estilista explora novos caminhos, em um momento em que o desafio é manter-se longe da previsibilidade. Se os vestidos de festa continuam reinando em seu repertório, agora há momentos de transgressão, como na camisa jeans que, na verdade, é 100% couro de cabra. Couture+street com twist de glamour e afetação na medida.

Nesta edição, o estilista revisita seu tema preferido, o universo feminino, para permitir-se a um exercício pouco visto em sua carreira: roupas com ares casuais, mas com essência de ateliê. A subversão de códigos tão caros à sua própria trajetória sinaliza um mood diferente, ainda mais atrevido. Ele explica que esse desejo de exercer sua liberdade criativa vem desse momento “em que vale a pena lutar pela legitimidade e pelo direito de se assumir plenamente ao mundo”.

Sem amarras, sem corsets, mas sempre com muito brilho (bien sûr) e pronto para brigar por seu lugar ao sol…

Em um mundo encaretado, a festa revolucionária de Kallil Nepomuceno pode tornar-se uma poderosa ferramenta de resistência e inconformismo – com uma carga extra de glamour!