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Lindeberg emociona em desfile autorreferencial no DFB 2017

Redação: Renato Ferreira | Foto: Roberta Braga, Cláudio Pedrosa e Pedro Brago

Lindeberg Fernandes (Lili, para os íntimos) nunca deixa de surpreender. No 18º ano do Dragão Fashion Brasil (DFB), resolveu sair dos temas convencionais-padrão e lançou uma coleção que levasse mais de si próprio, como uma autorreferência. O resultado é fantástico e cheio de nostalgias – que qualquer jovem, de pelo menos 18 anos, consegue compreender.

Entre uma realidade política avassaladora, questões de gêneros ou relatos delicados de amor que despedaçam ou injetam amor no coração, Lili buscou nas memórias sua infância, relações familiares e religiosas, que passou durante a vida. E foi do centenário das aparições de Nossa Senhora, em Portugal, que surgiu toda a arte e encanto do desfile no DFB 2017.

A devoção pela santa foi explícita. Lindeberg relatou suas memórias afetivas como coroinha, grupos de jovens na igreja católica e o convívio com padres e freiras, livres do capitalismo e com afinidades à bondade, ao amor e à fé. Destas inspirações, obras de arte puseram-se em movimentos calmos, livres e ausentes de pudor na passarela de Moda em Fortaleza.

“Pensei, inicialmente, em tudo branco – a representação total da paz e da tranquilidade que tive em minha vida. Mas, a partir de propostas de estampas exclusivas, as peças foram ganhando cores que, de fato, fizeram a diferença”, revelou ao DF House.

De visuais sóbrios e totalmente claros, o estilista conseguiu relatar mensagens positivas por meio dos rosas-secos, azuis celestes e vermelho – com a mais bela representação dos corações de Maria, mãe de Jesus, e Jesus. Dentre os materiais, que criaram shapes elegantes e majestosos, houve o uso de sarja, sarja acetinada e as estampas eram alusões de vitrais e afrescos (no estilo de Michelangelo).

A beleza é inspirada na Fiorucci. Rostos angelicais, aplicações de rosa e azul bebê se fazem presente e dão toda a inocência que o desfile propõe. A coleção é fluida com ideias encaixadas e uma narrativa que emociona ainda mais quando a obra se conclui. “Nos meus 15 anos de Dragão (Fashion Brasil), esta é a que eu gostaria que a mamãe estivesse viva. Eu insistiria muito para ela vir”, emociona o grande artista Lindeberg Fernandes.

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