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O feminino independente de gênero: Güera, de Jeferson Ribeiro

Redação: Renato Ferreira | Fotos: Roberta Braga, Cláudio Pedrosa e Pedro Brago | Backstage: Nicolas Gondim

Um sufixo tupi referencial “àquilo que nós fomos e já não somos mais” deu o nome à coleção de Jeferson Ribeiro: Güera. A desterritorialização em um universo feminino, bem pontuado em cortes e cores, trouxe ao desfile do estilista a feminilidade e a contemporaneidade da mulher – que é independente de gênero sexual.

Sob os conceitos de Deleuze e Guattari, onde existe uma viagem e a espera do amor (mas quando se encontram não conseguem ter a completude deste sentimento), Jeferson apresenta o ser feminino em sua ótica mais acestral. O poder de criar, ser intuitiva, gerar.

As roupas mostram um mix de camponesas e agricultoras que estão o tempo todo bricolando novas formas de um corpo até chegar a sua forma mais contemporânea. O processo de criação, dentre tantas referências, evidencia esse poder a partir do conceito igualdade-diferença.

Entre o branco e o preto atemporal e eterno, cartela base do estilista, ele traz o fúcsia para afirmar a vivacidade e reafirmar o feminino. Por mais que o rosa não seja cor de mulher – como o próprio Jeferson afirmou – a cor consegue transmitir esta mensagem. Alinhada a estas o verde queimado vem e propõe sobriedade; aplicados na viscose, no denim e vários pontos de seda.

A construção da modelagem também é algo novo para o estilista. As peças foram inspiradas em vilãs dos anos 1980 – mas não pela maldade; pelo poder e pela coragem de agir com força. A execução na moulage mostra ombros imponentes e cinturas marcadas; shapes poderosíssimos e femininos.

Já a beleza é uma releitura-homenagem a Leigh Bowery, quase como design gráfico. “É uma mulher que se divertiu tomando um sol, se maquiou e foi trabalhar”, revelou Jeferson.

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